Funcionário faltoso, salário alto: bom servidor público ou caso de demissão?
- picosmerecemais
- 22 de jan.
- 3 min de leitura
Como avaliar o desempenho de um funcionário do povo?

Em qualquer empresa privada, a lógica é simples: funcionário que falta demais, entrega pouco e recebe muito acaba sendo cobrado e, em muitos casos, demitido. Mas quando o “funcionário” é um representante eleito pelo povo, essa conta muda?
A pergunta ganhou força em Picos após a divulgação de dados sobre a frequência de parlamentares nas sessões da Câmara Municipal. De acordo com informações públicas levantadas pelo jornalista José Maria do portal de notícias informapicos.com.br , o vereador Afonsinho liderou o ranking de faltas nas sessões ordinárias ao longo de 2025.
O dado é objetivo. A discussão que surge a partir dele é ainda mais profunda.
Vereador é funcionário do povo?

Embora não seja um servidor concursado, o vereador exerce um mandato remunerado com recursos públicos, possui cargo de responsabilidades definida em lei e tem obrigações claras: legislar, fiscalizar o Executivo e representar a população.
Em outras palavras, recebe salário pago pelo cidadão para estar presente, atuar e produzir.
Presença é sinônimo de bom desempenho?

Não. Mas ausência recorrente também não pode ser ignorada.
Avaliar o desempenho de um representante público passa por critérios como:
Frequência nas sessões, participação em debates, apresentação de projetos, atuação em comissões, fiscalização efetiva do Executivo, prestação de contas à sociedade
A presença não garante qualidade, mas a ausência constante levanta uma dúvida legítima: quem não está, consegue representar?
Na iniciativa privada, a régua é clara
Se um funcionário:
Falta com frequência, tem salário elevado, não entrega resultados compatíveis
Ele é advertido, cobrado ou desligado.
No serviço público eletivo, não existe “demissão” no sentido tradicional. O julgamento acontece de outra forma: pela opinião pública e pelo voto.
Crítica não é ataque pessoal

Questionar desempenho, frequência e custo de um mandato não é calúnia, injúria ou difamação. Trata-se de crítica política baseada em fatos verificáveis, algo protegido pela Constituição e essencial ao funcionamento da democracia.
O que não se discute aqui é caráter pessoal, vida privada ou acusações sem prova. Discute-se entrega, responsabilidade e compromisso com o cargo.
Dos 17 vereadores que compõem atualmente a Câmara Municipal de Picos, Afonsinho é, até o momento, o único que não declarou apoio público ao prefeito Pablo Santos. Esse dado, por si só, alimenta a narrativa de que ele seria o único nome de oposição dentro do Legislativo. No entanto, oposição não se define apenas pela ausência de apoio político, mas principalmente pela atuação concreta: presença, debate, fiscalização e enfrentamento público das pautas que impactam diretamente a vida da população picoense.
E é justamente aí que surge o questionamento inevitável: que tipo de oposição se constrói quando não se participa das sessões, não se ocupa a tribuna para debater problemas reais da cidade e não se apresenta contrapontos claros às ações do Executivo? A oposição, para cumprir seu papel democrático, precisa estar onde as decisões acontecem, precisa falar, questionar e propor. Fora disso, o risco é transformar a oposição em um rótulo vazio mais simbólico do que efetivo distante da função que o povo espera de quem recebeu um mandato para representá-lo.
A pergunta que fica
Se o vereador Afonsinho fosse um funcionário comum da iniciativa privada, com esse nível de presença, ele seria elogiado, advertido ou demitido?
A resposta não cabe a um portal, nem a um autor isolado. Cabe ao cidadão, que paga a conta, acompanha o desempenho e decide, no tempo certo, se renova ou não a confiança.
Porque no fim das contas, o povo é o verdadeiro empregador.
Fontes da informações
www.imformapicos.com.br jornalista José Maria
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